Alô, vó. O livro histórias, contos e receitas da D. Nair

” – Alô, vó? Na sexta-feira podemos ir aí tirar algumas fotos suas para divulgar o seu livro da Gioia Nostra?”

A sexta-feira veio logo, um pouco nublada e ameaçando chuva, mas nada disso afetou o bom humor da D. Nair.

Já eram duas da tarde quando chegamos para o almoço. A comida estava sendo aquecida no fogão. Quem, nos dias de hoje, tem o privilégio de, em pleno dia de semana, degustar a melhor comida do mundo? Sentamos agradecidas e apreciamos o sabor do arroz soltinho, o feijão macio e bem temperado. Bife todo mundo sabe fazer, mas não sei o que a D. Nair coloca no dela que fica muito mais do que delicioso.

Sempre de sobremesa as frutas aparecem milagrosamente descascadas e partidas, mimos de vó. Sorvetes de palito nos sabores limão e coco pipocam pela mesa redonda da saleta, que é o nosso lugar preferido do apartamento, onde as conversas rolam soltas, seja sobre a família ou banalidades.

Antes da sessão de fotos com o livro começar, vó Nair passou um creme no rosto e nos disse que precisava descansar 10 minutos para que acordasse mais bonita.

Vaidosa ela se arrumou com o seu familiar vestido preto de bolinhas, colocou seus brincos de pressão e um batom vermelho, provando que no alto dos seus 84 anos é possível sentir-se bem, feliz e em paz consigo mesma.

Nair nunca gostou de ganhar presentes, tanto que no seu aniversário de 80 anos, pediu para colocar no convite que preferiria que os convidados fizessem doações para instituições de caridade, ao invés de lhe comprarem alguma coisa. Foi o que fizemos e também tivemos a ideia de a surpreender com um livro que conta a sua história de vida.

Foi desse presente que a ideia da Gioia Nostra surgiu. No final da festa, os livros foram distribuídos e D. Nair, mesmo sem ter ideia do conteúdo, se sentou, começou a autografar e a deixar recados para os amigos e familiares. Bem-humorada disse que “estava se sentindo como a Ana Maria Braga”. Naquele dia 120 pessoas levaram para casa um pouco do emocionante legado da nossa avó.

Nos anos seguintes pudemos presenciar ela distribuindo mais exemplares dos seus livros para pessoas que tinha acabado de conhecer dizendo: “Olha, aqui está a minha história, minha família me deu de presente”. Toda vez que ela faz uma viagem, sempre coloca uns 4 ou 5 livros na mala e os distribui para os amigos recém feitos nas excursões.

O mesmo aconteceu na sexta-feira, na sessão de fotos. Descemos para o pátio do prédio onde a luz estava melhor, apesar do tempo ruim. Ela fez algumas poses segurando o seu livro, mas não tirava os olhos de um garotinho de uns 8 meses e sua babá que estavam ali por perto.

Quando dissemos que estava liberada, que já tínhamos captado as imagens, ela se aproximou da moça e entregou, com a simpatia de sempre, o exemplar que tinha nas mãos, mais uma vez reforçando que era a sua história que estava ali. A moça, que era uma pessoa muito simples, agradeceu com um sorriso e disse que iria ler com todo o carinho, ainda mais depois de saber que nas páginas tinham as receitas nossa avó.

Observar esse tipo de cena, nos faz entender que o significado do que a nossa empresa faz transcende o papel. Ele empodera o homenageado, conecta pessoas de uma forma inusitada, traz à tona lembranças outrora esquecidas, preserva o legado para as futuras gerações. É uma verdadeira joia criada a partir dos laços de amor que existe entre as pessoas. Com o passar dos anos temos percebido que as histórias contadas pela Gioia Nostra não terminam no último ponto final dos nossos livros, ele é apenas o começo de um novo capítulo de memórias que ainda serão vividas e poderão ser registradas para sempre.