O COMEÇO

Esse é um blog para registrar as histórias de amor que estamos presenciando a cada livro que fazemos. O nosso objetivo é mostrarmos através dessas histórias, que o mundo está cheio de pessoas bacanas que ainda são capazes demonstrar seu sentimento pelo outro através das palavras escritas.

Para começar, vamos contar a história da Gioia Nostra e como chegamos até aqui.

Quando ela nasceu eu, Giulliana, tinha 10 anos de idade. Ela era um bebê fofo, de bochechas rosadas e sorriso fácil. Por ela aprendi a trocar fralda, a dar mamadeira, aprendi que puxão de cabelo com mãozinha gorduchinha de bebê dói!

Era 1990, o Brasil passava por um período conturbado com o plano Collor. As famílias estavam passando por dificuldades financeiras e nossa mãe precisou voltar ao mercado de trabalho. Quando isso aconteceu eu já me sentia responsável pela pequena Nicolle.

Durante a minha adolescência, me lembro sempre de buscá-la na escola, ajudá-la nas lições de casa ou levá-la ao cinema para ver os filmes da Disney que ela tanto amava. Em um dia das mães me emocionei quando, tanto eu quanto a minha mãe, ganhamos presentes e eu fui apelidada de “irmãe”. A nossa relação foi se construindo assim, com muito amor, carinho e cuidado.

Dez anos depois, a vida se transformou novamente. A minha mãe precisou mudar de cidade, levando com ela as minhas duas queridas irmãs. A Nicky nessa época estava com dez anos de idade. Eu precisei continuar morando em São Paulo, pois já estava cursando a faculdade de Publicidade. Foi uma separação muito difícil e devido à distância, não pude fazer parte das memórias da adolescência dela.

A vida seguiu seu rumo, eu tive uma filha e comecei a trabalhar em agências de publicidade. Nesse período, uma coisa que eu aprendi é que o mundo dá voltas e inesperadamente, em 2009, a Nicky voltou para São Paulo para fazer faculdade de Relações Internacionais. Outro aprendizado dessa vida é que algumas irmãs estão ligadas por laços tão bem amarrados pelas mães, que não se desfazem facilmente, mesmo com a distância e o tempo correndo contra.

Em 2015, depois de trabalhar como designer na mesma empresa por 8 anos, senti que as coisas não estavam andando como eu gostaria, sentia um vazio profissional, mesmo trabalhando muitas horas por dia. Faltava um propósito maior, algo que conciliasse a minha paixão, que é o design, com fazer a diferença na vida de alguém.

Saí do emprego formal e, em 2017, decidi criar a Gioia Nostra. Senti que não podia ou queria empreender sozinha e precisava de alguém que tivesse uma personalidade complementar à minha, que tivesse carisma, responsabilidade, valores parecidos com os meus e que acreditasse 100% no conceito da empresa. Eu precisava da Nicolle.

Nessa época ela já tinha terminado a faculdade, trabalhado em algumas empresas e estava dando aulas particulares de inglês. Conversamos e ela decidiu embarcar nessa linda e assustadora jornada comigo.

Em um famoso discurso na universidade de Stanford em 2005, Steve Jobs disse: ” …você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. “

Hoje, olhando para trás, eu entendo que as coisas não se constroem de uma hora para outra, elas vão tomando forma com o tempo, que o “que é para ser é para ser” e que o sucesso pode até ser conquistado sozinho, mas se você não tiver com quem compartilhar não vai valer a pena.

Espero daqui a alguns anos poder olhar para trás e ver ainda mais pontos conectados.

“A felicidade repartida com o próximo dura para sempre.” – Taniguichi