Pílulas de Memória: Natais da temporão

O Natal é uma época muito especial que significa reuniões de família, decorações maravilhosas e muita comida gostosa.

Sendo a última filha, a “temporão”, as tradições de Natal em casa já estavam estabelecidas quando eu cheguei, mas nunca deixaram de me deslumbrar e trazer aquele sentimento de encantamento, magia e inocência que toda criança tem nessa época.

O sentimento natalino começava a se espalhar no final de cada Novembro, quando o Shopping Paulista – o clássico, que ainda hoje toda a família conhece como a palma da mão – decorava todos os andares com várias guirlandas de folhas verdes e laços de veludo vermelho. No piso térreo, sempre havia uma exposição diferente, mas a tradicional árvore de Natal que subia até o último andar e o Papai Noel de barba branca de verdade eram figuras marcadas.

Em algum ano, pelos idos 1996, construíram a fábrica de brinquedos do Papai Noel, que lembro até hoje! Você entrava no térreo e saía no primeiro andar, podendo ver os pequenos elfos mecânicos montando os ursinhos mais lindos, carrinhos e trenzinhos de madeira perfeitos, tudo sob o olhar atento e carinhoso da Mamãe Noel. Lembro de passear pelos corredores dessa fábrica e ficar maravilhada com toda a magia que exalava de cada detalhe, cada guirlanda, cada laço, cada caixa embrulhada para presente.

O Papai Noel do shopping sempre me dava uma cartinha para que eu escrevesse o que gostaria de ganhar, se tivesse sido uma boa menina, e pedia que desse para meus pais enviassem a ele.

Um dos melhores brinquedos que já recebi, veio de uma dessas cartas. Tinha visto no apartamento de uma amiga da escola a casa da Barbie que sempre sonhei em ter.

Coloquei o pedido na carta e estava ansiosa para que o Natal chegasse logo, curiosa para ver as paredes rosas e todos os acessórios plásticos que viriam junto. Na manhã do dia 25, havia um pacote enorme na sala, que claramente parecia o tão esperado presente e, quando abri o embrulho, era uma casa de madeira, toda pintada nos mínimos detalhes, com pequenos móveis em todos os cômodos. Tinha uma sala de estar com 2 sofás, uma cozinha, uma sala de jantar, um quarto, um banheiro e seus moradores eram feitos de pano. Apesar de não ser a casa da Barbie original, fiquei muito feliz e brinquei para valer com aquela casinha, que realmente parecia ter sido feita pelos duendes do Papai Noel.

Na minha família, as decorações começavam quando a mamãe me acordava em uma manhã de sábado e íamos juntas até o CEASA escolher o melhor pinheiro de Natal. Eu adorava esse passeio que só acontecia 1 vez por ano, porque tinha tanta coisa diferente para ver. Amava os cheiros, as cores e os barulhos daquele lugar e mamãe sempre me deixava ajudar a escolher a árvore mais bonita!

Quando chegávamos do passeio, ela abria os armários do hall de entrada (que até hoje cheiram a Natal) e tirava todas as caixas com anos de decorações colecionadas. Separávamos os enfeites que estavam quebrados para colocarmos só os mais bonitos. Lembro de várias peças de madeira, super delicadas, uma que era um trenzinho, outro um quebra nos, um que era uma árvore de Natal. Haviam outros que não eram feitos de madeira, mas eram igualmente encantadores, como as pombas brancas e o anjo que ia no topo.

Outra tradição era visitar a famosa Avenida Paulista, que ficava iluminada do Paraíso à Consolação nessa época do ano. Os prédios mais divertidos eram o Banco Real, que tinha exposições interativas e o Bankboston, sempre com os melhores enfeites! Nada era melhor do que a decoração da R. Normandia, em Moema, que parecia que tinham transportado os filmes da série “Esqueceram de Mim” para o meio de São Paulo. Todas as casas eram enfeitadas do chão ao teto, presentes gigantes, duendes e Papais Noeis que cantavam no meio da rua. Teve um ano que colocaram até neve artificial. Só faltava uma pista de patinação!

Na véspera de Natal, o apartamento estava decorado, os talheres do faqueiro chique para visitas estavam postos na mesa e tudo cheirava à deliciosa comida sendo preparada no forno. Mamãe me arrumava para ficar apresentável para os convidados e eu aproveitava uma das poucas noites que tinha permissão para ficar acordada até tarde, não que eu já não ficasse depois que ela dormia.

Quando estava próximo da meia-noite, minha tia Sílvia sempre me chamava para descer até o térreo para procurarmos o Papai Noel e suas renas no céu. Ela sempre apontava e me perguntava: Olha lá aquela luz, consegue ver!? Deve ser ele!” – eu nunca vi! Ela dizia então, que provavelmente deveríamos subir, porque ele podia já ter passado em casa. Não dava outra, chegava e a árvore estava fervilhando de pacotes para todos! Primeiro eu ia lendo as etiquetas e entregava o presente na mão de cada um da família, quando todos já haviam aberto os seus, eu atacava a minha pilha, afinal eu tinha sido uma boa menina e queria “saborear” cada momento, cada papel rasgado e a descoberta dos meus presentes.

Todas essas histórias são pequenas pílulas de memória que posso compartilhar com vocês sobre os meus Natais quando criança. Se adicionarmos as memórias das minhas irmãs, daria um livro só de contos natalinos. Uma época que sempre foi marcada por muita magia. Agradeço a todos os meus familiares, pois foram como os pequenos ajudantes de Papai Noel, me proporcionando memórias inesquecíveis ao longo dos anos.

Nós da Gioia Nostra desejamos Boas Festas a todos e um final de ano cheio de amor, união e paz. Que 2019 seja um ano de incontáveis alegrias e novas memórias!