Entre linhas e costuras, o legado

A história de hoje é a da Dona Carmem, contada pela sua filha Debora que cresceu em um ambiente onde todos os dias eram dias de costura. O legado que a mãe deixou para a sua filha transformou a vida da Debora, que desde criança, tinha Dona Carmem como maior inspiração:

“Lembro-me da minha mãe, Maria do Carmo ou Dona Carmem, assim como muitos a chamavam, como uma mulher muito racional e de uma sabedoria incrível. Minha mãe me teve com 42 anos de idade. Sou a caçula de cinco filhos, a raspa do tacho.

Tudo o que eu perguntava a ela vinha com uma resposta cheia de sabedoria e segurança. Às vezes eu achava que não tinha outra pessoa no mundo mais sábia que minha mãe. Ela era o pilar da casa, todos a procuravam para pedir conselho ou para dividir algo. Minha mãe estava sempre pronta a ouvir e a servir. Ela tinha um coração generoso. Cresci num cenário entre casa e costura: linhas e tecidos. Ela se dividia entre costurar, cuidar da casa e revezava com meu pai na vendinha que tínhamos. Nós, os filhos, também ajudávamos.

Entre muitas recordações, lembro que minha mãe gostava muito de confeccionar as nossas roupas e os itens da casa. Todas as calças de alfaiataria do meu pai eram feitas por ela. Tenho muito vivo na minha memória a cena em que ela usava o papel do saco de pão para fazer os moldes. Apesar de não ter nenhuma noção de como ela desenhava, quando via o resultado, achava incrível.

Quando eu tinha por volta de 7 anos, a minha mãe comprou a famosa Mini Máquina de Costura da Estrela. Esse brinquedo eu tenho até hoje. Eu amava brincar com ele, fazia roupas para as bonecas e, de certa forma, eu me inspirava em minha mãe.

 

Debora aos 7 anos com seu vestido balonê

Acho interessante pensar como minha mãe era tão dedicada e apaixonada pela costura e como ela tinha prazer em fazer as roupas que eu pedia para ela. Em uma de minhas festas de aniversário, a moda daquele ano era inspirada na saia balonê. Imagine se o meu pedido não foi esse. Ela foi lá, comprou tecido, cortou, costurou e claro que a roupa ficou perfeita com todos os detalhes possíveis. Ainda tinha a combinação das botas e cinto… (risos). Fiquei tão feliz. Foi uma das melhores festas que eu já tive. Tudo era feito com muito carinho, minha mãe se desdobrava muito para atender aos meus pedidos. Hoje vejo as fotos e me sinto orgulhosa por tanto amor que recebi dela.

Minha mãe era o máximo. Na minha cabeça de criança, achava que não existia outra pessoa tão incrível como ela. E acho que, como mãe, não tinha mesmo. Crescer nesse ambiente de linhas e tecidos me fez ver o lado belo das roupas e das cores. E como é importante ter uma profissão em que você se sinta realizado. Faz 12 anos que ela faleceu e todos os dias penso como sou grata por ter sido sua filha. Não a trocaria por nada nesse mundo. E aquela menina que antes admirava a mãe em frente a uma máquina de costura hoje se inspira e dá os mesmos passos que ela no mundo da costura. Acho que no fundo essa é uma maneira de eu me sentir perto dela novamente, através do seu legado.”

 

Dona Carmem com a família no aniversário da Debora.

Hoje, Debora é a empreendedora à frente da Decostura, uma empresa que faz acessórios, brinquedos e roupas lindas e personalizadas para o público infantil.

 

As coisas lindas da Decostura feitas com todo o carinho, legado da Dona Carmem!

Nós da Gioia Nostra, acompanhamos o trabalho da Debora há anos e temos um orgulho imenso da profissional que ela se tornou, isso sem contar o talento excepcional que ela tem, que obviamente herdou da mãe!

Ficamos felizes em saber que o legado que a Dona Carmem deixou continuará pelas mãos cuidadosas da filha e agradecemos por ela compartilhar essa linda história com a gente.

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